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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O Desabafo ( Leticia Thompson)




Poucas coisas são tão pesadas quanto as palavras e emoções que carregamos dentro de nós. São coisas que não podemos colocar no chão para descansar um pouco e pegar depois, com forças renovadas. Elas nos seguem e, por que não dizer, nos perseguem.
Às vezes nos sentimos pequeninos sim. Às vezes queremos não dizer nada, estar simplesmente nos braços de alguém e fechar os olhos e outras, gostaríamos de gritar nossa dor, nossa revolta e deixar que as lágrimas façam caminho no nosso rosto.
Mas nos calamos... por que reconhecer nossa fragilidade diante de outra pessoa é expôr-se, entregar-se a ela, na nudez da alma. E por pudor, medo, vergonha ou orgulho, não queremos isso.
Portanto, a fragilidade não está em mostrar-se frágil. Só os fortes são capazes de reconhecer suas fraquezas para melhor lidar com elas. Ser forte é desenvolver a capacidade de lidar com as emoções, que corroem o ser como uma doença incurável.
Desabafar é abrir as portas do coração e as janelas da alma. Deixar sair o ar fechado e entrar o sol. É soltar palavras e acolher alívio; é partir para o grande vôo da liberdade que todo mundo anseia.
Mas, claro, é preciso sabedoria para se saber onde vamos. Não podemos sair por aí proclamando a todo mundo que temos situações mal resolvidas dentro de nós.
Temos que escolher cuidadosamente as pessoas que são capazes de nos receber com maturidade, sem julgamentos.
Há pessoas que nos fazem crescer. Os grandes amigos estão incluídos nessa categoria.
A eles então nossas portas podem ser abertas e as palavras poderão fluir, até que nos sintamos mais leves.
E há ainda e, principalmente, Aquele que mesmo conhecendo nosso íntimo melhor ainda que nós aceita e pede que nosso coração se abra.
Ele nos pega nos braços, seca nossas lágrimas e nos carrega no colo. Ele nos leva até a praia e nos apresenta o raiar do dia e o pôr-do-sol...
nos diz que a natureza também dorme, acorda e chora às vezes, mas que assim é a vida e que o importante mesmo é continuar de pé, buscando um mundo melhor.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Silencio ( Aldo Novak )





Pense em alguém que seja poderoso...
Essa pessoa briga e grita como uma galinha,
ou olha e silencia, como um lobo?
Lobos não gritam.
Eles têm a aura de força e poder.
Observam em silêncio.
Somente os poderosos, sejam lobos,
homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio.
Além disso, quem evita dizer tudoo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas
Exatamente por isso, o primeiro
e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo
é o silêncio em momentos críticos.
Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis.
Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota.
Olhe.
Sorria.
Silencie.
Vá em frente.
Lembre-se de que há momentos de falar
e há momentos de silenciar.
Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso.
Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) idéia
de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques.
Não é verdade !
Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir.
Você nem mesmo é obrigado a atender seu telefone pessoal.
Falar é uma escolha, não uma exigência,por mais que assim o pareça.
Você pode escolher o silêncio.
Aém disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenocrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar:

“ME ARREPENDO DE COISAS QUE DISSE,MAS JAMAIS DO MEU SILÊNCIO".

Responda com o silêncio, quando for necessário.
Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos,
mas reais.
Use o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não responder
em alguns momentos.
Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas.
E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Canção das Mulheres Lya Lyft


crônica extraída do livro

"Pensar é transgredir",de Lya Luft



“Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco – em lugar de voltar logo à sua vida, não porque lá está a sua verdade mas talvez seu medo ou sua culpa.
Que se começo a chorar sem motivo depois de um dia daqueles, o outro não desconfie logo que é culpa dele, ou que não o amo mais.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo: “Olha que estou tendo muita paciência com você!”
Que se me entusiasmo por alguma coisa o outro não a diminua, nem me chame de ingênua, nem queira fechar essa porta necessária que se abre para mim, por mais tola que lhe pareça.
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que quando levanto de madrugada e ando pela casa, o outro não venha logo atrás de mim reclamando: “Mas que chateação essa sua mania, volta pra cama!”
Que se eu peço um segundo drinque no restaurante o outro não comente logo: “Pôxa, mais um?”
Que se eu eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro – filho, amigo, amante, marido – não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.”

A vida!!!!!! por Brian Dyson


Imagine a vida como um jogo, no qual você faz malabarismo com cinco bolas que são lançadas no ar...
Essas bolas são: o trabalho, a família, a saúde, os amigos e o espírito.
O trabalho é a única bola de borracha, se cair, bate no chão e pula para cima.
Mas as quatro outras são de vidro, se caírem no chão, quebrarão e ficarão permanentemente danificadas.
Entendam isso e assim conseguirão o equilíbrio na vida".
Como?
Não diminua seu próprio valor comparando-se com outras pessoas.
Somos todos diferentes, cada um de nós é um ser especial.
Não fixe seus objetivos com base no que os outros acham importante.
Só você tem condições de escolher o que é melhor para si próprio.
Dê valor e respeite as coisas mais queridas de seu coração.
Apegue-se a ela como a própria vida, sem elas a vida carece de sentido.
Não deixe que a vida escorra entre os dedos por viver no passado ou no futuro.
Se viver um dia de cada vez, viverá todos os dias de sua vida.
Não desista enquanto ainda é capaz de um esforço a mais, nada termina até o momento em que se deixa de tentar.
Não tema admitir que não é perfeito.
Não tema enfrentar riscos, é correndo riscos que aprendemos a ser valentes.
Não exclua o amor de sua vida dizendo que não se pode encontrá-lo.
A melhor forma de receber amor é dá-lo.
A forma mais rápida de ficar sem amor é apegar-se demasiado a si próprio.
A melhor forma de manter o amor é dar-lhe asas.
Corra atrás de seu amor, ainda dá tempo!
Não corra tanto pela vida a ponto de esquecer onde esteve e para onde vai.
Não tenha medo de aprender, o conhecimento é leve, é um tesouro que se carrega facilmente.
Não use imprudentemente o tempo ou as palavras, não se pode recuperar uma palavra dita.
A vida não é uma corrida, mas sim uma viagem que deve ser desfrutada a cada passo.
Lembre-se:
Ontem é história, amanhã é mistério e HOJE é uma dádiva. Por isso se chama "presente".


BRIAN G. DYSON

President da Coca Cola

sábado, 20 de setembro de 2008

O ELEFANTE ACORRENTADO"

Você já observou elefante no circo?
Durante o espetáculo, o enorme animal faz demonstrações de força descomunais.
Mas, antes de entrar em cena, permanece preso, quieto, contido somente por uma corrente que aprisiona uma de suas patas a uma pequena estaca cravada no solo.
A estaca é só um pequeno pedaço de madeira.
E, ainda que a corrente fosse grossa, parece óbvio que ele, capaz de derrubar uma árvore com sua própria força, poderia, com facilidade, arrancá-la do solo e fugir.
Que mistério!!! Por que o elefante não foge?
Perguntei a um adestrador e ele me explicou que o elefante não escapa porque está amestrado.
Fiz então a pergunta óbvia: - Se está amestrado, porque o prendem?
Não houve resposta!
Há alguns anos descobri que, por sorte minha, alguém havia sido bastante sábio para encontrar a resposta: O elefante do circo não escapa porque foi preso à estaca ainda muito pequeno.
Fechei os olhos e imaginei o pequeno recém-nascido preso..: Naquele momento, o elefantinho puxou, forçou, tentando se soltar. E, apesar de todo o esforço, não pôde sair. A estaca era muito pesada para ele.
E o elefantinho tentava, tentava e nada. Até que um dia, cansado, aceitou o seu destino: ficar amarrado na estaca, balançando o corpo de lá para cá, eternamente, esperando a hora de entrar no espetáculo.
Então, aquele elefante enorme não se solta porque acredita que não pode.
Jamais, jamais voltou a colocar à prova sua força.
Isso muitas vezes acontece conosco!
Vivemos acreditando em um montão de coisas "que não podemos ter", "que não podemos ser", "que não vamos conseguir", simplesmente porque, quando éramos crianças e inexperientes, algo não deu certo ou ouvimos tantos "nãos" que "a corrente da estaca" ficou gravada na nossa memória com tanta força que perdemos a criatividade e aceitamos o "sempre foi assim". De vez em quando sentimos as correntes e confirmamos o estigma: "não posso", "é muita terra para o meu
caminhãozinho", "nunca poderei", "é muito grande para mim!"
A única maneira de tentar de novo é não ter medo de enfrentar as barreiras, colocar muita coragem no coração e não ter receio de arrebentar as correntes!
Vá em frente!

(Prof. Damásio de Jesus)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Paciencia ( Lenine)






Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

A vida não pára!...
A vida é tão rara!...


Composição: Lenine e Dudu Falcão

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Acreditar na vida


É ter esperança no amanhã.
Saber que após a noite vem o dia.
Viver intensamente as emoções!
Pular de alegria.
Não invadir o espaço alheio.
Ser espontâneo.
Apreciar o nascer e o pôr-do-sol.
Amar as pessoas incondicionalmente.
Aproveitar todos os momentos.
Fazer trabalhos voluntários.
Vencer a depressão.
Confiar na intuição.
Perdoar as pessoas.
Estimular a criatividade.
Não se prender a detalhes.
Brincar como uma criança.
Chorar de felicidade.
Deixar pra lá.
Ter pensamentos positivos.
Respeitar os sentimentos dos outros.
Rir sozinho.
Saber trabalhar em equipe.
Ser sincero.
Encontrar a felicidade nas pequenas coisas.
Entender que somos pessoas únicas.
Não se apegar a bens materiais.
Adorar um dia de chuva.
Enxergar além das aparências.
Descobrir que precisamos dos outros.
Esquecer o que já passou.
Buscar novos horizontes.
Perceber que somos humanos.
Vencer a nós mesmos.
Ver a beleza da alma.
Sair da passividade.
Saber que a vida é conseqüência das nossas atitudes agora.
Não adiar as decisões.
Mimar a criança interior.
Deixar acontecer...
Praticar a humildade.
Adorar o calor humano.
Curtir pequenas vitórias.
Viver apaixonado pela vida.
Visualizar só coisas boas.
Entender que há limites.
Ver a vida com outros olhos e mentalizar o positivo.
Ter auto-estima.
Colocar sua energia positiva em tudo que realizar.
Só se arrepender do que não fez.
Fazer parcerias com amigos e crescer juntos.
Dormir feliz.
Emanar vibrações de amor.
Saber que estamos só de passagem.
Melhorar os relacionamentos.
Aproveitar as oportunidades.
Ouvir o coração e acreditar na vida.
VIVA A VIDA INTENSAMENTE e seja feliz hoje

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O lenhador e a raposa



Em uma aldeia distante, vivia um lenhador que acordava muito cedo e
trabalhava o dia inteiro cortando lenha.
Esse lenhador era viúvo e tinha um filho lindo, de poucos meses e
também uma raposa, sua amiga, tratada como bicho de estimação e de sua
total confiança.
Todos os dias o lenhador ia trabalhar e deixava a raposa cuidando de
seu filho e todas as noites ao retornar do trabalho, a raposa ficava
feliz com sua chegada.
Os vizinhos do lenhador alertavam que a raposa era um bicho, um animal
selvagem,portanto, não era confiável.Quando ela sentisse fome
comeria a criança.
O lenhador sempre retrucando com os vizinhos, falava que isso era uma
grande bobagem.A raposa era sua amiga e jamais faria isso.
Os vizinhos insistiam: Lenhador abra os olhos! A raposa vai comer seu
filho. Quando sentir fome, comerá seu filho!
Certo dia, ao chegar em casa, muito exausto do trabalho e cansado
desses comentários, viu a raposa sorrindo como sempre e sua boca
totalmente ensangüentada.
O lenhador suou frio e sem pensar duas vezes acertou o machado na
cabeça da raposa.
Ao entrar no quarto desesperado, encontrou seu filho no berço dormindo
tranqüilamente. Ao lado do berço, uma cobra morta.
O lenhador enterrou o machado e a raposa juntos.
Se você confia em alguém, não importa o que os outros pensem a
respeito, siga sempre o seu caminho e seu coração, não se deixe
influenciar, e principalmente,nunca tome decisões precipitadas.


"Desconfiança é sinal de fraqueza". - Mahatma Gandhi

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Solstício de inverno ( Elaine Maria)


(A imagem é de Hórus,deus dos céus)





E o outono dá lugar ao inverno hoje, dia 20 de junho,às 20.59h.è a última fase do ciclo anual das estações.
Os dias podem ser quentes, mas nossos pés sentem que a terra está mais fria. A noite chega mais cedo, vai ficando mais longa. Já não nos sentimos tão expandidos. Somos atraídos para o aconchego e buscamos calor nas comidas, na proximidade do fogo-lareiras, fogueiras...porque nosso corpo,parte da terra, está esfriando. Se aqui fora o calor diminuiu,lá dentro ele se concentra. Economizamos energia,guardamos calor-suamos menos.A palavra hibernar nos sugere recolhimento,descanso. A vida sabiamente se prepara no silêncio , no mistério da escuridão para nos surpreender adiante, na primavera !
Como todo processo que finda, vem a sensação de vazio e expectativa. OLhar para trás, liberar o que já foi vivido, sonhar,confiar no que ainda não tem forma...O inverno é um tempo para contatarmos a natureza feminina-que aceita o mistério sem tentar controlar,espera pacientemente, conectada com o sentir, com o seu coração que sente o pulsar da vida lá dentro ganhando força de manifestação.
Nossos antepassados acendiam fogueiras e clamavam pela força do fogo, pelo renascimento do Deus sol, que viria pelo ventre da deusa, para que a vida continuasse. Em todas as religiões se criam formas de participar do mistério celebrando, ritualizando essas passagens. Continuamos clamando pelo fogo do amor, da consc`^encia, da fé,da verdade, da alegria para que a vida se preseve e continue em todos o níveis.
O solstício de inverno no hemisfério norte é na tradição cristã a festa de natal- o renascimento do deus menino.
Aqui no sul é a festa de S. João e o mês dos santos homens.Em ambas a presença do fogo como elemento principal.
Sentimos esse fogo penetrar em todas as nossas dimensões- aquecendo o corpo, trazendo alegria e ânimo, nos fazendo realmente sentir que a vida não morre...
Vamos então cantar como crianças "São João, S. João, acende a fogueira no meu coração..." e viver esse inverno com sabedoria.
Feliz inverno com a força dos santos homens e o acolhimento da mãe terra.

Eliane maria

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Victor Hugo


DESEJO





” Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,

Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar".